NARRAR A VIDA E A PROFISSÃO DOCENTE: VISÕES SOBRE OS PROCESSOS FORMATIVOS E AS SENSIBILIDADES

Autores

DOI:

https://doi.org/10.26694/rles.v30i62.5734

Palavras-chave:

Pesquisa narrativa (auto) biográfica, História cultural, Relatos de experiência

Resumo

Relatos de experiência são utilizados como fonte de pesquisa e reflexão sobre as sensibilidades e os processos educativos que permeiam o ser-saber-fazer docente. Esses relatos foram tecidos como produto da participação das docentes em um curso de extensão. Elas elaboraram um relato de experiência com base em categorias teóricas abordadas no curso, fundamentadas em suas trajetórias (auto) biográficas. Isto posto, o objetivo deste ensaio consiste em analisar os relatos de experiência de duas cursistas de extensão no tocante às suas trajetórias autobiográficas, em especial os processos educativos e as sensibilidades envolvidas no ato de elaboração da narrativa. A pesquisa foi desenvolvida sob as lentes teórico-metodológicas da pesquisa autobiográfica em Educação e da história cultural, fundamentada na abordagem qualitativa de pesquisa. Gaia e Deméter são professoras nordestinas, pesquisadoras da área de Geografia, migrantes, e têm formação nas mesmas instituições. Suas narrativas evidenciam experiências formativas diferentes, que, clivadas pelas sensibilidades, as moveram para a reflexão acerca de suas práticas profissionais. Neste sentido, sublinhamos o potencial dos relatos de experiência na produção de conhecimento e na oportunidade de suscitar reflexão sobre os variados espaços formativos e os sentidos e significados produzidos pelos docentes para suas experiências formadoras. Ademais, o argumento de que o ato de educar deve considerar as emoções, os sentimentos e as sensibilidades, de modo que a educação deve ser adutora e transformadora, encaminhar para a reflexão da vida, do trabalho e da formação, ou seja, conduzir para fora de si.

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Biografia do Autor

Caio Corrêa Derossi, UENF/UFF

Mestre em Educação (2021) e Licenciado em História (2018) ambos pela Universidade Federal de Viçosa (UFV). É especialista em Docência com Ênfase na Educação Básica, em Docência e Prática de Ensino em História (2022) e em Supervisão e Inspeção Escolar pela Faculdade Focus.  Integra os grupos de estudos e pesquisas: Interpretação do Tempo: ensino, memória, narrativa e política (iTemnpo - UFPA); Laboratório de Pesquisas em Teoria da História e Interdisciplinaridades (LAPETHI - UFRRJ), do Grupo de Estudos e Pesquisas (Auto) biográficas (GEPAS - UVA - Universidade Estadual do Vale do Acaraú) e do Grupo de Pesquisa Vivências e Didáticas Autorais (VIDA - UFF). 

Luciana Rodrigues Leite, Universidade Estadual do Ceará

Doutora em Educação pelo Programa de Pós-graduação em Educação da Universidade Estadual do Ceará (PPGE/UECE), Mestre em Educação pela UECE, Especialista em Metodologia do Ensino em Biologia e Química e em coordenação pedagógica pela Universidade Federal do Ceará - UFC; Licenciada em Química pela Faculdade de Educação de Crateús (FAEC/UECE). Professora Adjunta do curso de Química da Universidade Estadual do Ceará, no campus da Faculdade de Educação e Ciências Integradas de Crateús (FAEC), e pesquisadora, compondo o Grupo de Pesquisa Educação e Ciências da Natureza (UECE) e o Grupo de Estudos e Pesquisa (Auto)biográfica (GEPAS).

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Publicado

2026-01-26

Como Citar

Corrêa Derossi, C., & Rodrigues Leite, L. (2026). NARRAR A VIDA E A PROFISSÃO DOCENTE: VISÕES SOBRE OS PROCESSOS FORMATIVOS E AS SENSIBILIDADES. Linguagens, Educação E Sociedade, 30(62), 1–29. https://doi.org/10.26694/rles.v30i62.5734

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