EDUCAÇÃO EM RUÍNAS?
UMA LEITURA ARENDTIANA SOBRE A VIOLÊNCIA CONTRA AS ESCOLAS NO BRASIL
Palavras-chave:
Violência escolar, Hannah Arendt, Mundo comum, Banalidade do mal.Resumo
Este texto apresenta um panorama da tese de doutorado intitulada Massacres escolares no Brasil: a violência extrema contra as escolas em uma perspectiva arendtiana, desenvolvida no Programa de Pós-graduação em Educação da UFPE. Como objetivo geral, a pesquisa buscou compreender a concepção de violência no pensamento de Hannah Arendt e sua contribuição frente à violência extrema contra as escolas no contexto atual brasileiro. Metodologicamente, o estudo foi de natureza bibliográfica e hermenêutica, articulando, ensaisticamente, conceitos arendtianos de modernidade, violência, mundo comum, banalidade do mal, superfluidade, perdão e promessa, dentre outros, à realidade dos massacres escolares ocorridos no país nas últimas duas décadas. A partir do conceito de “violência contra a escola”, proposto por Charlot (2008), buscou-se, desse modo, um entendimento de como os ataques dirigidos aos espaços educativos são fenômenos que refletem a crise da autoridade, a erosão do espaço público e o enfraquecimento do mundo comum. Os resultados encontrados indicaram que esses eventos violentos não são acontecimentos isolados, pois refletem, de alguma maneira, a desintegração de estruturas políticas e simbólicas que sustentam a escola enquanto uma instituição de formação humana. Além disso, a pesquisa indicou que o pensamento arendtiano oferece chaves de compreensão importantes que ajudam a analisar as raízes desse tipo de violência, bem como ajuda a propor caminhos ético-políticos voltados à reconstrução da escola como espaço de proteção aos mais novos. Diante disso, a defesa da escola só pode implicar em uma responsabilidade coletiva de toda uma comunidade política na qual o perdão e a promessa surgem como possíveis categorias para lidar com os traumas da violência e preservar um mundo comum para as novas gerações.



