Brasil e Portugal na encruzilhada: a negação do fado e a afirmação do samba (1930-1939)
DOI:
https://doi.org/10.26694/rec.v15i1.9446Palavras-chave:
fado, samba, música popular, lutas de representações, relações Brasil-PortugalResumo
Nacionalismos de todas as colorações políticas pululavam mundo afora durante a década de 30 do século passado. Aqui do lado de baixo do Equador não foi diferente. No Brasil, em particular, tanto à direita como à esquerda do espectro ideológico nacional, manifestações de matriz nacionalista se fizeram sentir nos mais distintos campos, inclusive na área artística. Foi a época em que se assistiu à invenção do samba como ícone musical da nação. Em meio a esse processo, certos compositores populares moveram um combate aos estrangeirismos em geral. O fado, terceiro gênero musical “estrangeiro” mais gravado no país, ficou, então, sob a alça de mira de determinados críticos. Um inflamado antilusitanismo chegou a se expressar em estreita ligação com um sentimento antifadista. Neste texto me proponho, a partir daí, a mapear tais manifestações, tendo por foco sobretudo a produção do jornalista, poeta e compositor Orestes Barbosa, um dos parceiros de Noel Rosa. Ao mesmo tempo, busco inserir as lutas de representações travadas em nome do samba em redes de interlocução informais que desde o século XIX exprimiam sua hostilidade seja em relação a Portugal ou ao fado. Neste último caso, importa observar que ele enfrentou também sérias rejeições em terras portuguesas até impor-se como “fiel intérprete da alma lusitana”
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