Perfil clínico, etiológico e desfechos hospitalares de pacientes com insuficiência cardíaca isquêmica e não isquêmica em um hospital universitário
DOI:
https://doi.org/10.26694/jcshu-ufpi.v9i2.9100Palavras-chave:
Insuficiência Cardíaca, Isquemia, Hospitalização, MortalidadeResumo
Objetivo: Descrever e comparar o perfil clínico, etiológico e os desfechos intra-hospitalares de pacientes com insuficiência cardíaca (IC) de etiologia isquêmica e não isquêmica internados em um hospital universitário.
Métodos: Estudo observacional, transversal e analítico, realizado com pacientes internados por insuficiência cardíaca no Hospital Universitário da Universidade Federal do Piauí entre janeiro de 2018 e janeiro de 2019. Foram incluídos pacientes com idade ≥18 anos e diagnóstico de IC estabelecido pelos Critérios de Boston. Os dados foram obtidos por revisão de prontuários eletrônicos e incluíram características sociodemográficas, comorbidades, etiologia da IC, classe funcional da New York Heart Association (NYHA), fração de ejeção do ventrículo esquerdo, tempo de internação e mortalidade intra-hospitalar. As comparações entre os grupos foram realizadas pelos testes do qui-quadrado de Pearson e exato de Fisher, adotando-se nível de significância de 5%.
Resultados: Foram avaliados 42 pacientes, dos quais 59,5% apresentavam insuficiência cardíaca de etiologia não isquêmica e 40,5% de etiologia isquêmica. Houve predomínio do sexo masculino em ambos os grupos (64,0% e 64,7%, respectivamente), de indivíduos autodeclarados pardos (92,0% e 100,0%) e procedentes do interior do estado do Piauí (56,0% e 70,6%). A hipertensão arterial sistêmica foi a comorbidade mais frequente (48,0% e 52,9%), seguida por tabagismo (40,0% e 35,3%) e diabetes mellitus (20,0% e 23,5%). Entre as etiologias não isquêmicas, destacaram-se as cardiopatias valvares (19,0%) e a miocardiopatia dilatada idiopática (16,7%). A insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida foi predominante em ambos os grupos (64,0% e 58,8%). Pacientes com etiologia não isquêmica apresentaram maior frequência de classes funcionais III e IV da NYHA na admissão (84,0% vs. 29,4%; p=0,001). A mortalidade intra-hospitalar foi de 20,0% no grupo não isquêmico e 5,9% no grupo isquêmico.
Conclusão: A insuficiência cardíaca de etiologia não isquêmica predominou na população estudada, apresentando perfil etiológico distinto daquele descrito em registros nacionais. A elevada frequência de fatores de risco cardiovasculares modificáveis, associada ao maior comprometimento funcional dos pacientes com etiologia não isquêmica, reforça a necessidade de estratégias de prevenção, diagnóstico precoce e otimização da assistência em serviços terciários.
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2026 Jornal de Ciências da Saúde do Hospital Universitário da Universidade Federal do Piauí

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
Autores mantém os direitos autorais e concedem ao JCS HU-UFPI o direito de primeira publicação, com o trabalho licenciado sob a Licença Creative Commons Attibution BY 4.0 que permite o compartilhamento do trabalho com reconhecimento da autoria e publicação inicial nesta revista.
