Perfil clínico, etiológico e desfechos hospitalares de pacientes com insuficiência cardíaca isquêmica e não isquêmica em um hospital universitário

Autores

  • André Rodrigues Carvalho Universidade Federal do Piauí
  • Gabriel Felipe Teixeira Freire de Oliveira Universidade Federal do Piauí
  • Kelvin Hagi Silva Fonseca
  • Carlos Eduardo Batista de Lima

DOI:

https://doi.org/10.26694/jcshu-ufpi.v9i2.9100

Palavras-chave:

Insuficiência Cardíaca, Isquemia, Hospitalização, Mortalidade

Resumo

Objetivo: Descrever e comparar o perfil clínico, etiológico e os desfechos intra-hospitalares de pacientes com insuficiência cardíaca (IC) de etiologia isquêmica e não isquêmica internados em um hospital universitário.

Métodos: Estudo observacional, transversal e analítico, realizado com pacientes internados por insuficiência cardíaca no Hospital Universitário da Universidade Federal do Piauí entre janeiro de 2018 e janeiro de 2019. Foram incluídos pacientes com idade ≥18 anos e diagnóstico de IC estabelecido pelos Critérios de Boston. Os dados foram obtidos por revisão de prontuários eletrônicos e incluíram características sociodemográficas, comorbidades, etiologia da IC, classe funcional da New York Heart Association (NYHA), fração de ejeção do ventrículo esquerdo, tempo de internação e mortalidade intra-hospitalar. As comparações entre os grupos foram realizadas pelos testes do qui-quadrado de Pearson e exato de Fisher, adotando-se nível de significância de 5%.

Resultados: Foram avaliados 42 pacientes, dos quais 59,5% apresentavam insuficiência cardíaca de etiologia não isquêmica e 40,5% de etiologia isquêmica. Houve predomínio do sexo masculino em ambos os grupos (64,0% e 64,7%, respectivamente), de indivíduos autodeclarados pardos (92,0% e 100,0%) e procedentes do interior do estado do Piauí (56,0% e 70,6%). A hipertensão arterial sistêmica foi a comorbidade mais frequente (48,0% e 52,9%), seguida por tabagismo (40,0% e 35,3%) e diabetes mellitus (20,0% e 23,5%). Entre as etiologias não isquêmicas, destacaram-se as cardiopatias valvares (19,0%) e a miocardiopatia dilatada idiopática (16,7%). A insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida foi predominante em ambos os grupos (64,0% e 58,8%). Pacientes com etiologia não isquêmica apresentaram maior frequência de classes funcionais III e IV da NYHA na admissão (84,0% vs. 29,4%; p=0,001). A mortalidade intra-hospitalar foi de 20,0% no grupo não isquêmico e 5,9% no grupo isquêmico.

Conclusão: A insuficiência cardíaca de etiologia não isquêmica predominou na população estudada, apresentando perfil etiológico distinto daquele descrito em registros nacionais. A elevada frequência de fatores de risco cardiovasculares modificáveis, associada ao maior comprometimento funcional dos pacientes com etiologia não isquêmica, reforça a necessidade de estratégias de prevenção, diagnóstico precoce e otimização da assistência em serviços terciários.

Publicado

08-10-2026

Como Citar

Rodrigues Carvalho, A., Teixeira Freire de Oliveira, G. F., Hagi Silva Fonseca, K., & Batista de Lima, C. E. (2026). Perfil clínico, etiológico e desfechos hospitalares de pacientes com insuficiência cardíaca isquêmica e não isquêmica em um hospital universitário. Jornal De Ciências Da Saúde Do Hospital Universitário Da Universidade Federal Do Piauí, 9(2). https://doi.org/10.26694/jcshu-ufpi.v9i2.9100

Edição

Seção

Original

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