Uma formação para o silêncio

quando o nutricionista cala o paciente paga a conta

Autores

  • Hoberdânia Araújo Queiroz Universidade Federa do Piauí
  • Maria das Graças Freire de Medeiros Universidade Federal do Piauí

DOI:

https://doi.org/10.26694/jcshu-ufpi.v9i2.8663

Resumo

Objetivo: Refletir criticamente sobre as práticas cotidianas que moldam a atuação do nutricionista em ambientes de alta complexidade, a partir de um relato de experiência contrastante entre uma residência multiprofissional e um estágio externo, à luz do arcabouço legal e das evidências científicas. Métodos: Trata‑se de um relato de experiência reflexivo, construído a partir da vivência pessoal da autora em dois cenários formativos no Sistema Único de Saúde: uma residência multiprofissional em Alta Complexidade e um estágio externo em instituição hospitalar especializada. A análise foi conduzida com base na legislação das residências em saúde, no Código de Ética do Nutricionista e em literatura científica sobre interprofissionalidade e segurança do paciente. Resultados: A residência caracterizou‑se por um modelo tecnicista‑burocrático, com preceptoria limitada ao ensino de sistemas e planilhas, desestímulo ao exame físico, ao vínculo com o paciente e à participação nos rounds, além de ausência de avaliação formativa. Em contraste, o estágio externo adotou um modelo clínico‑colaborativo, com exigência de conduta baseada em evidências, atuação interprofissional efetiva e avaliação transparente com feedback individualizado. Conclusão: A omissão do nutricionista na equipe multiprofissional não é uma fatalidade, mas resultado de escolhas formativas e institucionais que violam preceitos ético‑legais e comprometem a segurança do paciente crítico. A experiência do estágio externo demonstra que é possível reverter esse quadro por meio da qualificação da preceptoria, da institucionalização da avaliação e do resgate do protagonismo técnico da categoria.

Biografia do Autor

Hoberdânia Araújo Queiroz, Universidade Federa do Piauí

Residência médica em Nutrição - Programa de Residência Multiprofissional em Alta Complexidade da Universidade Federal do Piauí, UFPI, Brasil. Graduação em Nutrição pelo Centro Universitário Santo Agostinho, UNIFSA, Brasil.

Maria das Graças Freire de Medeiros, Universidade Federal do Piauí

Doutorado em Biotecnologia – RENORBIO pela Universidade Estadual do Ceará, UECE, Brasil. Mestrado em Ciências da Saúde pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte, UFRN, Brasil. Professora associada da Universidade Federal do Piauí atuando no Curso de Graduação em Farmácia e no Programa de Pós-graduação em Ciências Farmacêuticas da Universidade Federal do Piauí. Coordenadora da Residência Multiprofissional em Saúde da UFPI.

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Publicado

28-09-2026

Como Citar

Queiroz, H. A., & Medeiros, M. das G. F. de. (2026). Uma formação para o silêncio: quando o nutricionista cala o paciente paga a conta. Jornal De Ciências Da Saúde Do Hospital Universitário Da Universidade Federal Do Piauí, 9(2), e-8663. https://doi.org/10.26694/jcshu-ufpi.v9i2.8663

Edição

Seção

Reflexão