Uma formação para o silêncio
quando o nutricionista cala o paciente paga a conta
DOI:
https://doi.org/10.26694/jcshu-ufpi.v9i2.8663Resumo
Objetivo: Refletir criticamente sobre as práticas cotidianas que moldam a atuação do nutricionista em ambientes de alta complexidade, a partir de um relato de experiência contrastante entre uma residência multiprofissional e um estágio externo, à luz do arcabouço legal e das evidências científicas. Métodos: Trata‑se de um relato de experiência reflexivo, construído a partir da vivência pessoal da autora em dois cenários formativos no Sistema Único de Saúde: uma residência multiprofissional em Alta Complexidade e um estágio externo em instituição hospitalar especializada. A análise foi conduzida com base na legislação das residências em saúde, no Código de Ética do Nutricionista e em literatura científica sobre interprofissionalidade e segurança do paciente. Resultados: A residência caracterizou‑se por um modelo tecnicista‑burocrático, com preceptoria limitada ao ensino de sistemas e planilhas, desestímulo ao exame físico, ao vínculo com o paciente e à participação nos rounds, além de ausência de avaliação formativa. Em contraste, o estágio externo adotou um modelo clínico‑colaborativo, com exigência de conduta baseada em evidências, atuação interprofissional efetiva e avaliação transparente com feedback individualizado. Conclusão: A omissão do nutricionista na equipe multiprofissional não é uma fatalidade, mas resultado de escolhas formativas e institucionais que violam preceitos ético‑legais e comprometem a segurança do paciente crítico. A experiência do estágio externo demonstra que é possível reverter esse quadro por meio da qualificação da preceptoria, da institucionalização da avaliação e do resgate do protagonismo técnico da categoria.
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