O meu sonho era “fazer uma faculdade”: das primeiras leituras de mundo à docência universitária
DOI:
https://doi.org/10.26694/rer.v8i1.5786Palavras-chave:
Rememória, Racismox, Sexismo, DitaduraResumo
O meu memorial se baseia na ideia, no sonho que se foi delineando o de fazer uma faculdade e que me levou à docência de uma universidade pública. A acadêmica negra é movida, muitas vezes, pela dor. Essa dor produz conhecimento, essa dor carrega histórias e narrativas trazidas por rastros de minha memória que foram ganhando sentido e construindo perguntas que nortearam a escrita do memorial. É uma sensação que perfaz toda a minha trajetória escolar e acadêmica. E de que modo estereótipos sexuais e raciais constroem e consolidam práticas sociais são trazidas ao longo de todo o texto elaborado em formato de ensaio. A ideia foi subverter o que se espera formalmente de um memorial acadêmico, sem deixar de fazê-lo cumprindo o pretendido ao enfatizar a trajetória acadêmica enredada nas minhas experiências como mulher negra acadêmica porque venho destrinchando, no decorrer desse ensaio, o silenciamento bem ao gosto da lógica meritocrática imposta como moeda de troca, da graduação à professora titular.
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