Etnicidade, Nação e o Paradoxo da Cidadania: povos indígenas e a imposição do Estado Brasileiro
Palavras-chave:
etnicidade, identidade nacional, povos indígenas, Estado-nação, plurinacionalidadeResumo
O artigo analisa criticamente a formação da identidade nacional brasileira e seus impactos sobre os povos indígenas, a partir de uma perspectiva antropológica e decolonial. Argumenta-se que o Estado brasileiro, moldado pelo paradigma eurocentrado do Estado-nação, historicamente promoveu políticas de assimilação e apagamento das diferenças étnicas. Com base em autores como Fredrik Barth, Clifford Geertz, Anthony Smith, Ernesto Laclau, Aníbal Quijano, Ailton Krenak e Malcom Ferdinand, discute-se a etnicidade como fundamento de resistência e autonomia frente à cidadania moderna, individualista e universalizante. Exemplos históricos e atuais, como o tratamento constitucional dado aos indígenas e a disputa pelo manto Tupinambá, evidenciam as contradições entre pertencimento territorial e pertencimento político-cultural. O texto propõe reconhecer os povos indígenas como nações autônomas e explorar alternativas como o Estado plurinacional, compreendendo a etnicidade não como etapa transitória, mas como matriz política e ontológica que desafia os limites do Estado moderno.
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