Telenovela como mediação cultural: hegemonia e fissuras
DOI:
https://doi.org/10.26694/rec.v21i1.9467Palavras-chave:
Telenovela, Mediação Cultural, RecepçãoResumo
O presente artigo analisa a telenovela brasileira na década de 1970 enquanto um dispositivo de mediação cultural, operando entre o projeto de modernização do regime civil-militar (1964–1985) e as apropriações cotidianas da audiência. Apoiando-se no referencial de Jesús Martín-Barbero (2003), Esther Hamburger (2005), Renato Ortiz (1985) e Marcos Napolitano (2001), o estudo compreende a teledramaturgia para além do entretenimento, tratando-a como um produto da indústria cultural capaz de articular padrões simbólicos entre diferentes instâncias — Estado, mercado e público — produzindo tanto mecanismos de hegemonia quanto possibilidades de fissura e reinterpretação. Metodologicamente, a pesquisa examina fontes hemerográficas das revistas Manchete e Sétimo Céu, investigando a recepção, circulação e discursos produzidos em torno das novelas no período. Demonstra-se que a imprensa atuou como extensão da narrativa televisiva, diminuindo as fronteiras entre ficção e realidade e revelando a telenovela como um fórum cultural complexo sobre a sociedade brasileira em um contexto de intensas transformações políticas, culturais e comunicacionais.
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